Darksiders II

Darksiders IITenho certeza que todos vocês já tiveram aquele sentimento de que “poderia ser melhor” para um game, especialmente quando ele tem a difícil missão de superar o seu predecessor. Claro que esse sentimento não tem a força da decepção que muita gente teve com Dragon Age 2 e, principalmente, Duke Nukem Forever, por exemplo. Darksiders II é bom, muito bom. Fato. No entanto, não consegue ser melhor que o primeiro. Na verdade, eles são equivalentes. Sendo assim, quem gostou de enfrentar hordas infernais com War deve certamente gostar de encara-las com o mascarado Death.

War x Death

War x Death: qual o melhor?

Confesso que a primeira impressão que tive quando comecei o jogo cavalgando o Despair foi “esse jogo não está colorido demais?”. Afinal, eu agora controlava talvez o mais sombrio dos Cavaleiros do Apocalipse, a Morte, em um ambiente ainda mais desolado que o deixado por Guerra, já que toda a Terra havia sido dizimada e agora a Corrupção está consumindo tudo, incluindo o Paraíso. Então, nada mais justo que eu ficasse um pouco decepcionado em ver cenários visualmente bonitos e bem construídos, mas coloridos demais. Além disso, pode ser apenas impressão, mas os traços dos personagens deram um clima meio HQ no jogo (inesperado, mas não de todo ruim). Contudo, devo enfatizar: o trabalho feito com os cenários foi sensacional. Além disso, conforme você avança, cores muito expressivas são realmente o que menos importa.

Arte de Darksiders II

Ótimo trabalho de cenários

Como já dito, você agora é Death, um dos quatro Cavaleiros do Apocalipse, que voltou junto dos seus outros irmãos Strife e Fury (Discórdia e Fúria, respectivamente, ao contrário do que se conhece como Peste e Fome) após a quebra do sétimo selo por War. War, então, foi julgado como responsável pela quebra do sétimo selo e a destruição da humanidade, mas Death compromete-se a ajudar seu irmão, com a boa ironia da Morte trazendo os humanos de volta à vida, restaurando assim o Equilíbrio. Para isso, você precisa combater a Corrupção (Corruption), que estica seus tentáculos a fim de acabar com toda a existência, deixando apenas o nada. Com o tempo, maiores detalhes são dados, mas nada que fuja disso. O enredo, como podemos ver, é simples, mas não é raso, e beneficia sua evolução no jogo. No entanto, há momentos em que você tem a certeza de que foi uma puta encheção de linguiça para render suas menos de 20h de jogo (bem menos, se você pular os vídeos e não conferir todos os diálogos, ou bem mais, se você percorrer todas as curvas, entradas e dungeons dos mapas), como diversas missões divididas em submissões, que, por sua vez, viram missões menores, o que chega a ser um pouco irritante.

A jogabilidade e os controles continuam basicamente os mesmos do primeiro título e seguem o padrão de jogos do gênero, como o Devil May Cry. Isso facilita bastante a curva de aprendizado, tornando, inclusive, o início do game fácil, mesmo em níveis mais difíceis. Contudo, quando você acha que o game já mostrou o que tinha, o melhor surge. Inimigos em maior quantidade e mais resistentes, puzzles ao estilo de Portal e escaladas e corridas pela parede a la Prince of Persia apresentam-se com mais intensidade e dificuldade. Essa mescla de cérebro e músculos ativos durante todo o game é o que deixa a série tão empolgante; a resolução de alguns puzzles te dão uma satisfação tão grande quanto a de realizar combos de três dígitos. Caso você esteja perdido em algum momento, você pode obter ajuda do seu fiel corvo Dust, embora dificilmente você precise recorrer a ele (até porque, por várias vezes, ele não serve pra nada mesmo).

As habilidades também são úteis e auxiliam bastante em batalha. Estão divididas em duas árvores: habilidades ofensivas (Harbinger) e defensivas ou de invocação (Necromancer), permitindo a você trucidar inimigos com ataques giratórios ou com a ajuda de mortos-vivos, por exemplo. A cada nível, você ganha um ponto para colocar em uma dessas habilidades, mas vocês esses pontos podem ser obtidos completando quests especiais de alguns mercadores, como o Vulgrim, por exemplo (que tinha um papel bem maior que a de um mero mercador no primeiro Darksiders).

Skill Tree

Árvore de habilidades

Contudo, a grande inovação está nos itens. Agora, diversas armas e armaduras estão à sua disposição, com níveis de aprimoramento diferentes, bem ao estilo Diablo, com itens mágicos, raros, etc. Você agora pode bater com garras, foices, machados, maças e outras armas, além de usa-las como sacrifício para aprimorar as raras Possessed Weapons e “montar” as habilidades que você quer nesse tipo de arma. Sem dúvida, um ganho a mais de diversão e interação. Além disso, você pode comprar ou vender seus itens nos mercadores, incluindo poções, embora não as use com frequência. Esse sistema de itens em conjunto com a skill tree dão o ar de RPG ao jogo, tão presente e bem vindo atualmente.

O grande problema do jogo, no entanto, são os bosses. É notório que, quando você está no mano-a-mano contra qualquer inimigo do game, você leva vantagem. É isso que acontece com os chefões: você é quase sempre mais forte que eless e não terá grandes dificuldades para derrota-los. Alguns exigem uma atenção especial, como usar o grapple ou o portal, por exemplo, mas nada que os torne tão desafiadores.

Quem se surpreendeu positivamente com a chegada do primeiro título, certamente irá divertir-se bastante com essa sequencia. Embora tenha algumas falhas – como a que existe na opção de enviar e receber itens de seus amigos pelo Steam – e os bosses não cheguem a ameaçar muito seu life, o jogo é bem interessante, com sua luta frenética e seus puzzles cerebrais. As versões para PC e consoles são muito parecidas e, embora seja mais divertido curtir um hack n’ slash no controle, os controles são muito eficientes no desktop e a jogabilidade em ambos é a mesma. Darksiders II, embora não seja sensacional, é uma boa sequencia e, claro, uma boa pedida. Só não insistam pra que eu diga qual dos dois games é o melhor.

Nota: 8,0

Outros reviews: Gamespot: 8,0; IGN: 7,5; GameTrailers; 8,5; Atomic Gamer: 9,0

 

 

 

Anúncios

5 comentários em “Darksiders II

  1. Pingback: Press Play #2 – Games e Sexo

  2. Pingback: Press Play #2 – Games e Sexo | Press A Key

  3. Ótima review King, comecei a detonar esse jogo agora e estou gostando bastante. Ele é tecnicamente melhor acabado que o primeiro, porém, menos desafiador, até agora, em 10hs de jogo só consegui morrer errando um pulo ou caindo de uma escalada(mortes em combate = zero).

    Assim como vc, tb não pude deixar de notar a falta do ar sombrio… Morte é morte velho! Nunca imaginei cavalgar com a morte na claridade do dia, num cenário campestre(tudo lindo, florido e verdinho) ao estilo “Shadow of the Colossus”.

    Finalizando e comparando com o primeiro: em termos de jogabilidade o Darksiders 2 é bem mais fluído, é melhor de jogar, a inserção do estilo RPG/ação é muito bem vinda, em termos gráficos tb é significativamente melhor… Pra mim a única desvantagem em relação ao primeiro é o desenvolvimento do personagem, a Morte devia se impor mais e ser mais sombria.

    Parabéns, abração cara.

  4. Acho q uma das coisas q mais “decepciona” eh o fato de vc jogar com a Morte, e ela não colocar medo ou mostrar a sua imponência a ninguém, fica a impressão que ela não passa apenas de um “garoto de recados”

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s